segunda-feira, 23 de março de 2009

CLÔ... PARA OS ÍNTIMOS!!!



Amigos...Hoje depois de sete dias, portanto no dia da missa de sétimo dia é que venho me manifestar a respeito da morte de Clodovil Hernandes.
Para mim é complicado falar dele, eu o adorava!!!
Perdemos um cara bacana, uma pessoa extremamente verdadeira, embora sua verdade às
vezes doesse mais do que o normal...Era rude , mas sempre chic!!!

Busquei algumas coisas sobre ele no Google...Mas na verdade o que fica para nós é o que cada um carregará em seu coração...O que sentirá quando se lembrar dele. No meu caso, sinto um carinho muito grande e um certo incômodo, não queria que ele fosse
agora...Ele ainda estava cheio de sonhos, cheio de planos!


O Brasil perde um cidadão que não tinha medo de falar o que pensava...Na verdade ele não tinha “papas na língua”. Acho que isto era o que eu mais admirava nele, a coragem de se expressar e botar pra fora o que o incomodava...Os opostos se atraem mesmo, rsrsrs
Mas o que sei é que eu fiquei triste e ainda estou...Quero prestar a ele minha homenagem...E tenho pedido a Deus por ele em minhas orações, para que o acolha e o mantenha em sua companhia.

Clô...Posso chamá-lo assim...Meu carinho por você , minha admiração me permite, me faz íntima...Fique em paz, você nos deixou um legado bacana, você cumpriu seu papel!
E olha, que você veio a passeio...Bem estiloso com sua mala LOUIS VUITTON...Um luxo!!!
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17 Mar 2009 ... O deputado federal e estilista Clodovil Hernandes (PR-SP) teve uma parada cardíaca e morreu às 18h50 desta terça-feira. ... Fiquei em choque, ainda esperava por um milagre, sei lá...

Clodovil...Amado ou detestado.
Não há um meio termo para as pessoas quando o assunto da conversa é Clodovil Hernandes.
Um ser humano difícil e necessário na sociedade, Clodovil tornou-se com o tempo um profissional plural e competente.
Nascido em Elisiário, uma cidadezinha do interior de São Paulo, rejeitado, adotado e, inicialmente, um excluído, Clodovil realmente chegou lá.
Na moda, seu nome se tornou sinônimo de bom gosto e qualidade.
Na televisão, mostrou talento como apresentador e, na política, elegeu-se deputado.

Em Brasília, infelizmente, não chegou a se destacar como provavelmente poderia, mas a votação maciça que recebeu de boa parte dos brasileiros demonstrou o carisma deste estilista que também se aventurou pelo teatro e pela música.
Temperamental , Clodovil sempre foi ousado, destemido e professoral. Além de gostar de mostrar seu conhecimento, gostava de dividi-lo principalmente com a audiência de seus programas de televisão.

Amante das boas coisas que o luxo pode oferecer, ele viveu a época em que costureiro ainda era a palavra usada para sua profissão.
Apaixonado por Paris, Clodovil apreciava o requinte e, nestes últimos anos, buscou revelar novos talentos em várias áreas em seus programas televisivos.
Seus vestidos de noiva e de festa foram sempre muito apreciados pela elite nacional e sua linha de prêt-à-porter, que incluiu linha de jeans e bolsas, baús e malas em couro, foi um sucesso.
Como profissional da criação e do universo da costura, usufruiu de um bom período econômico do país, tendo sido seu trabalho valorizado e reconhecido.
Sua disputa com Denner, outro grande nome da moda brasileira, foi uma idéia de Denner para ganhar ainda mais mídia em torno dos personagens criados e realmente funcionou.
Com o tempo, Clô, , foi se desligando da moda e ampliando sua área de atuação, graças aos programas na TV onde, além de entrevistador, passou a cultivar outras áreas relacionadas à gastronomia e decoração.
Sua personalidade forte e, muitas vezes contraditória, comprava desavenças, não temendo inimigos e defendendo suas crenças apaixonadamente.
Revelando-se crítico e radical em relação a vários assuntos e em conflito em relação a questões de sua própria existência, talvez ele pudesse ter sido um pouco mais suave, até consigo mesmo, mas aí ele não seria mais o Clodovil que faleceu aos 71 anos de idade em decorrência das complicações de um acidente vascular cerebral.
O polêmico e irreverente Clodovil Hernandes que deixou seu nome na história do país e de quem o Brasil deve muito se orgulhar.



PORQUE CLODOVIL SEMPRE FOI AUTÊNTICO...

Nos anos 60, 70, a mudança fazia parte do mundo. Tudo estava em mutação. A forma de pensar com os Hippies, a revolta dos estudantes, as gírias mais malandras, a música com a chegada dos Beatles, do rock e da bossa nova, os relacionamentos com a onda do amor livre, a irreverência, o prazer, o falar, o ouvir e o se vestir....

Lá fora tinha Twiggy desfilando de mini saia, Veruska de saia midi, Mary Quant inventando moda curta e Valentino cobrindo o corpo das modelos. Aqui no Brasil tínhamos Denner e Clodovil.

Depois de Madame Rosita, da moda das peles, eram os primeiros “costureiros” que apontavam no mundo da moda por aqui. Claro que os dois nomes eram sinal de polêmica e rusgas entre si e de luxo... Muito luxo. Enquanto Denner fazia a linha mousseline, voil, tudo com tecido muito fino, luxuoso....tínhamos Clodovil fazendo uma moda mais séria, mais bem desenhada e definida, apesar de estar longe disso. Significa que era mais séria em relação aos lançamentos de Denner, que era Pamplona de Abreu enquanto Clodovil se gabava de ter sido adotado no interior de São Paulo e ter conseguido ser um “costureiro” no mundo da moda brasileira. Fazia mais o gênero comportado na época, mas elegantíssimo.

Em uma ocasião de glamour na noite paulistana se não se vestia Denner ou Clô, não se estava bem vestida. Foi o “costureiro” preferido de Cacilda Becker, Elis Regina, das famílias Diniz e Matarazzo.

No Brasil o termo “manequim” era usado para as moças que desfilavam. O termo “modelo” ainda não tinha força neste mercado. Denner usava a elegância de Leilah Assumção de uma forma magistral. A Rhodia reinava no mundo da moda com Mila Moreira, que depois virou ótima atriz e apresentadora. Ambas com belezas diferentes, mas estilosas e talentosas. Eram anos de Fenit no Ibirapuera, de cílios postiços, de traços grossos de lápis nas pálpebras, de sombras azuis ou verdes carregadas sobre os olhos.

Em São Paulo, Christine Yufon reinava como Agência de manequins em sua escola no 2º andar do Conjunto Nacional, na Av. Paulista, além de ensinar boas maneiras e etiqueta às meninas da sociedade paulista. No Rio de Janeiro o mesmo feito era dominado por Socila na Av. Nossa. Senhora de Copacabana. E em Belo Horizonte a Socila funcionava na Av. Afonso Pena, no Mangabeiras...

O mundo da moda não tinha nada a ver com o mercado de hoje. Ganhava-se um cachê normal, sem nenhum exagero. O que contava mesmo era o esplendor de estar nas passarelas da época, ao som de Cledence Clearwater Revival, vendo a moda da Dijon, da Alpargatas....Dior timidamente chegando no Brasil....era tudo um sonho, a mudança de valores afetava os comportamentos, a forma de se mostrar, a moda.

Em São Paulo, fazer aulas com Christine Yufon e depois descer a Rua Augusta a pé, de mini saia, parando no Nostro Mondo para tomar um drink (sem álcool, claro) ou no Yara para um frapé de côco...era o máximo. E desfilar na Fenit era um sonho.Em BH, no Rio, tudo era muito leve, muito chic...

E Clodovil? Clodovil era o sonho de quem começava uma carreira neste sentido. Todas as meninas se espelhavam em sua moda, no jeito de ele ser, no seu homosexualismo encantador (na época todos achavam que ele era, antes de sua opção sexual, educado, gentil, culto, enfim...um homem fino!). Quando comparecia a um desfile......era um suspiro sem fôlego! Colocar um vestido dele por alguns segundos...mesmo que não fosse na passarela...um sonho! Sua cultura era enorme. Como um costureiro de alta-costura, brasileiro, gay (ainda não se usava esta palavra por aqui...), adotado, falava tão bem, sabia tanta coisa, tinha um francês impecável e ainda criava moda brasileira com charme, requinte e muita elegância?

Depois da época áurea da moda, antes desta concorrência desenfreada entre os modistas que de certa forma é saudável, abriu sua loja Pret-a-portê na Avenida Cidade Jardim . Recebia (ou não) as pessoas na porta. Porque quando eram feias ou mal-vestidas ele se recusava receber...

Quando foi para a TV, frente ao programa "8 ou 80", da Globo, responder sobre a vida de Dona Beija, soberbamente, sem erros e sem arrogância, era somente um estudioso ali sentado, respondendo questões sobre um personagem brasileiro, como ele.

Mas tornou-se arrogante quando foi para a TV, quando afastou-se do modismo da moda, por opção, quando sintonizou-se com o populismo e entrou na casa de mulheres, donas de casa, que jamais sonharam em vestir um modelo Clô, por falta de recursos. Mas ali estava ele, frente a milhares de mulheres, que ouviam sem pestanejar as coisas que ele dizia, suas risadas inconfundíveis, suas alfinetadas verbais, seus acessos de fúria com seus convidados. E as mulheres de todos os níveis sociais adoravam. E por quê? Porque Clodovil sempre foi autêntico. Nunca escondeu que queria a fama por ter sido rejeitado por sua família biológica. Queria dar a volta por cima da vida. Construíra sua mansão em Ubatuba para polemizar mesmo, para ser diferente, falado, amado, odiado. Ele mesmo falava tudo desta forma. E viveu de uma forma polêmica para, simplesmente, ser alguém. Para ser lembrado quando subisse o degrau.

É assim que falava da morte, que para ele não existia. Fez esta declaração em um programa de entrevistas da Xuxa, na Rede Globo. A morte, dizia ele, é só do corpo, da matéria que envolve o indivíduo....porque o indivíduo é uma energia com essência..os mais nobres cheiram a perfume francês, os menos nobres exalam cheiro de Lancaster (perfume muito usado nos anos 60, 70)....e gargalhava, como ele só!

Foi assim este homem polêmico e genial que permeou a vida de uma geração de forma magnífica.
E Clodovil sempre fazia parte da vida das pessoas naquela época, direta ou paralelamente. E dávamos boas risadas com ele, dele, sobre ele. E na época em que estilista era costureiro, em que modelo era manequim em que gay era só uma pessoa mais educada, em que o “legal” era sair com cara de Twiggy na rua, Clô era para quem o amava, somente uma pessoa boa com todos os tipos de classes que com ele trabalhavam. Gostava de rir, de falar bobagem. Mas, sempre foi autêntico, verdadeiro.

E nunca escondeu isso. Sempre foi coerente consigo. Quis ser aceito pelo que era, por ter conseguido sobreviver de uma forma diferente. Adorava os bichos, mas não se dava bem com os homens.

Virou político, mais uma vez para ser alguém que os outros pudessem ver e lutar por assuntos antes nunca pensados pelos deputados de sempre. Mas, se notarem, morreu sozinho. Porque ninguém teve a audácia de ser a sombra de Clô. Todos queriam ou ser o próprio ou brilhar por ter falado mal dele. Nunca estar “junto” a ele.

Clô, você foi genial!

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Leia frases marcantes de Clodovil Hernandes


A carreira de Clodovil Hernandes na moda, na televisão e na política foi marcada por pontos de vista defendidos sem papas na língua. Em diversas ocasiões, Clodovil alfinetou personalidades e alimentou discussões, algumas que lhe renderam até processos judiciais.


"Eu entrei [na política] mais para ser garoto propaganda da Câmara do que qualquer outra coisa. Porque não tenho feito nada. Eu vim aqui para trabalhar e não para brincar."

"Eu sou do tipo de homem que gosta verdadeiramente de mulher porque eu nunca enfrentei uma mulher."

"Da fruta que eu gosto, o Leonardo DiCaprio gosta até do caroço. Sei disso porque boi preto conhece boi preto."

"Digo aos senhores que a única coisa de que tenho medo --já me fizeram muito medo aqui, como estrangeiro que sou nesta Casa-- é da expressão 'decoro parlamentar'. Eu não sei o que é decoro, com um barulho destes enquanto um deputado fala. Eu não sei o que é decoro, porque aqui parece um mercado! Nós representamos o país! Não entendo por que há tanto barulho enquanto um orador está falando. Nem na televisão, que é popular, fazem isso."
Primeiro discurso na Câmara dos Deputados, em 2007

"Será que precisamos de gravata ou de seriedade?"

Direita ou esquerda? "Erecto"

"É claro que vou precisar de apoio, porque sozinho a gente não consegue nem se masturbar --tem de pensar em alguém."

"Você conhece alguém com 70 anos que tenha essas pernas?"

"Estava desempregado e não tenho cara de pobre; não conseguiria nem inventar uma. Precisava fazer alguma coisa. Acordei num domingo de manhã, depois de operado de câncer de próstata, e resolvi escrever um espetáculo. Você sabe, o segredo da cura é o bom humor."

"Se o Collor tinha aquilo roxo, o meu é cor de rosa-choque."

"As donas-de-casa me adoram porque sabem que eu vim de baixo. Vivi a história da Cinderela. E pobre gosta mesmo é de luxo."


Por estas e outras é que ele era único, rsrsrsrsrssrsrsrsrs....

Beijos azuissssss

3 comentários:

Carmen Augusta disse...

Olá Con, minha afilhada querida!

Concordo com tudo que disse. Eu também gostava do Clodovil.
Inteligente, e não ter papas na lingua, sem se incomodar a quem ia doer,era o máximo! Gostava disso nele.

Também acho que ainda não era hora dele ir, mas...

Bela homenagem afilhada.

Parabéns!

Beijos,
Carmen Augusta

Rosangela disse...

Amiga!
Fiquei surpresa com esta postagem!!! Por essa eu não esperava!

Olha, quero que saiba que estou profundamente chateada com a perda dessa pessoa Maravilhosa que eu adorava, que é o Clodovil Hernandes!

Meu Deus! Não tenho nem palavras pra expressar o tamanho da minha dor! Eu não me conformo com isso... Já chorei por essa perda e sei que nunca vou esquecê-lo!

Se você reparou no meu msn, até coloquei uma frase falando sobre o assunto! Porque não me conformo mesmo!

Coloquei no orkut, não sei se viu algumas fotos dele, um álbum em sua homenagem! E confesso que fiquei muito chateada porque apenas duas pessoas comentaram nas fotos... E em apenas uma foto!

Pra mim, o Brasil é muito preconceituoso! É claro que várias pessoas viram suas fotos, mas ninguém teve coragem de deixar lá uma mensagem... Fiquei magoada demais!!!

Quando alguém coloca uma foto qualquer, a mesma enche de comentários e numas fotos que, as vezes são tão bestas que nem vale a pena comentar!!! E nas do Clodovil que eu achei que ia ter vários comentários (não falo por causa de números), mas por ele ter sido essa pessoa Maravilhosa que foi, não teve praticamente nada!

Agradeço a Deus por eu não ter preconceito de nada e por amar ao Clodovil como amei e ainda amo de paixão!!!

Obrigada amiga! Por essa linda homenagem!
Não sabia que também gostava dele !

Eu amo o Clodovil e vou sentir muito a sua falta!
Aliás, os dias mais felizes da minha vida, foi quando tinha o seu programa: "A casa é sua"
Eu não perdia um!

E um momento que me marcou pra sempre, foi quando ele leu meu e-mail ao vivo no programa!
Você não imagina o tamanho da minha alegria!
Que Deus o abençoe!!!
Beijos!!!

Rosangela Amorim / BH

CON disse...

Ro amiga amada, obrigada por vir me visitar e pelo comentário.
Sim está sendo difícil superar esta perda!
Mas Deus sabe de todas as coisas...Ele viveu muito intensamente...Com certeza está feliz onde está!

Beijos azuis